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Caraguatatuba: menino autista usa desenhos para se comunicar e transforma arte em fonte de renda
História de Enzo, de 13 anos, une sensibilidade, criatividade e conscientização no Dia Mundial do Autismo
02/04/2026 17h00
Por: Admin Fonte: Portal Vale do Paraiba

No Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, celebrado nesta quinta-feira (2 de abril), uma história de sensibilidade e superação chama atenção no litoral de São Paulo.

Em Caraguatatuba, o jovem Enzo Ramos, de 13 anos, encontrou na arte uma forma única de se comunicar com o mundo. Diagnosticado com autismo nível 2 e não verbal, ele passou a expressar sentimentos e vivências por meio de desenhos — que hoje também ajudam no sustento da própria família.

Antes da pandemia, Enzo frequentava a escola e realizava terapias regularmente. No entanto, com o isolamento social, sua rotina foi impactada, dificultando ainda mais a comunicação.

Foi nesse período que a família percebeu uma mudança importante.

Segundo a mãe, Cátia Regina Ramos, o filho começou a utilizar o computador para desenhar — inicialmente de forma espontânea e silenciosa. Um episódio marcou a descoberta.

“Quando fui fechar o notebook, vi um desenho diferente. Era uma tela escura, com uma luz no centro e um bonequinho com expressão triste. Aquilo representava o que ele estava sentindo”, contou.

A imagem retratava um momento de insônia, uma experiência que Enzo não conseguia expressar por palavras, mas conseguiu traduzir em arte.

A partir dali, os desenhos passaram a ser um verdadeiro canal de comunicação. Enzo começou a registrar sentimentos, situações do dia a dia e também o carinho pela família.

O que começou como uma forma de aproximação entre pais e filho acabou se transformando em um projeto maior.

Cátia decidiu estampar os desenhos em camisetas para presentear familiares. A reação foi imediata: amigos e conhecidos começaram a demonstrar interesse nas peças.

“Começamos com 14 camisetas, bem simples. Mostramos para algumas pessoas e logo começaram as perguntas: quanto custa? Dá para encomendar? Foi quando percebemos que aquilo poderia se tornar algo maior”, explicou.

Assim nasceu uma nova fonte de renda para a família — e também uma forma de levar conscientização sobre o autismo para mais pessoas.

Hoje, a família investe na produção e divulgação das camisetas, utilizando as redes sociais para compartilhar não apenas os produtos, mas também as vivências de Enzo.

Mais do que um negócio, o projeto se tornou uma ponte entre o jovem e o mundo.

“Ele ficou encantado quando viu o desenho sair da tela e virar algo real. Foi um momento muito especial”, relembra a mãe.

A expectativa agora é transformar a iniciativa na principal fonte de renda da família, ao mesmo tempo em que amplia o alcance da mensagem de inclusão, empatia e compreensão sobre o autismo.