O tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, natural de Taubaté, foi preso na manhã desta quarta-feira (18), em São José dos Campos, suspeito de matar a própria esposa, a soldado da PM Gisele Alves Santana, de 32 anos.
A prisão foi realizada pela Corregedoria da Polícia Militar após a Justiça Militar decretar a prisão preventiva do oficial, que foi indiciado por feminicídio e fraude processual.
Gisele foi encontrada morta com um tiro na cabeça no dia 18 de fevereiro, no apartamento onde o casal vivia, na capital paulista. Inicialmente tratado como suicídio, o caso passou a ser investigado como homicídio após a análise de laudos periciais.
De acordo com as investigações, exames técnico-científicos indicaram inconsistências na versão apresentada pelo tenente-coronel. Entre os principais pontos estão a trajetória do disparo — de baixo para cima e com o cano encostado na cabeça — e a ausência de resíduos de pólvora nas mãos da vítima.
Além disso, o laudo necroscópico apontou lesões no rosto e no pescoço de Gisele, indicando que ela pode ter sido agredida antes do disparo.
Mensagens extraídas do celular do oficial também reforçam a suspeita de violência psicológica. Em conversas, a vítima relata episódios de humilhação, afirmando que era chamada de “burra” e alvo de comportamentos abusivos por parte do marido.
“Falando coisas para me humilhar, para me provocar”, escreveu a policial em uma das mensagens.
Com mais de 20 anos de carreira na PM, Geraldo Leite Rosa Neto ingressou na corporação em 1995, com formação na Academia do Barro Branco. Ao longo da trajetória, atuou no Vale do Paraíba, capital e litoral paulista, chegando a comandar a Companhia de Força Tática em São José dos Campos.
Ele também exerceu funções em Taubaté e participou de programas institucionais no município, além de ocupar cargos de liderança na corporação.
A prisão ocorreu em um apartamento no Jardim Augusta, em São José dos Campos, onde o oficial estava desde o início do mês após solicitar afastamento das funções.
Segundo a Polícia Civil, dois laudos foram determinantes para a prisão: a análise da trajetória da bala e a profundidade dos ferimentos. Também foram encontradas manchas de sangue em diferentes cômodos do imóvel, o que levanta suspeitas sobre a dinâmica do crime.
A defesa do tenente-coronel sustenta que Gisele teria tirado a própria vida e afirma que irá contestar a competência da Justiça Militar para julgar o caso.
Já a família da vítima acredita que houve feminicídio e aguarda que o oficial seja denunciado pelo Ministério Público e levado a julgamento.
O caso segue sob investigação, e novos laudos do Instituto Médico Legal (IML) e do Instituto de Criminalística ainda devem ser anexados ao inquérito para esclarecer completamente as circunstâncias da morte.