A exoneração da secretária municipal de Defesa dos Direitos das Mulheres de Lorena, Valéria Fortes, anunciada pela Prefeitura na segunda-feira, 16 de março de 2026, provocou forte repercussão na cidade e reacendeu o debate sobre políticas públicas de proteção às mulheres, violência política de gênero e estrutura institucional de apoio às vítimas. Valéria Fortes é mãe de Elda Mariel Aquino Fortes, de 29 anos, vítima de feminicídio em março de 2024 em Lorena. O crime teve grande repercussão no município e, desde então, o nome da ex-secretária passou a simbolizar, para parte da população, a luta por justiça e por ações mais efetivas de enfrentamento à violência contra a mulher. O acusado pelo assassinato responde ao processo preso. Segundo nota oficial da Prefeitura de Lorena, a exoneração ocorreu após avaliação da condução da pasta e de fatos relacionados ao cumprimento das atribuições institucionais do cargo. A administração apontou indícios de desídia no acompanhamento e na realização de inscrições do município em programas federais voltados às políticas públicas para mulheres, o que, de acordo com a gestão, pode ter prejudicado oportunidades de captação de recursos e fortalecimento de ações na área. A Prefeitura também afirmou ter identificado, por meio do Controle Interno Municipal, inconsistências preliminares na condução do processo de contratação de um espetáculo teatral pela secretaria, com indícios de possível irregularidade administrativa. Outro ponto citado pela administração foi o uso de redes sociais institucionais para promoção pessoal de terceiros, prática considerada incompatível com os princípios da administração pública. Ainda conforme a versão oficial, durante o período de análise da situação da pasta, um vereador do município — apontado como irmão da então secretária — teria ido ao gabinete do prefeito para cobrar um posicionamento sobre o caso. A administração alegou que houve tentativa de agressão física contra o chefe do Executivo, além de ameaças e agressões verbais. Em declaração reproduzida pela imprensa regional, Valéria Fortes contestou a exoneração e afirmou que a decisão representa uma forma de perseguição e violência política. Segundo ela, outros secretários que deixaram cargos na administração não teriam sido expostos publicamente da mesma maneira. A ex-secretária também relacionou o episódio ao fato de seu irmão ser vereador de oposição ao prefeito e informou que pretende adotar medidas legais. O caso ganhou ainda mais sensibilidade por envolver justamente a chefia da pasta responsável por políticas de proteção às mulheres em um município marcado recentemente por um feminicídio de grande impacto social. A exoneração, nesse contexto, amplia a pressão por transparência da administração municipal, esclarecimentos sobre as supostas irregularidades e definição dos próximos passos da política pública voltada às mulheres em Lorena. Nos bastidores políticos da cidade, o episódio deve continuar gerando desdobramentos nos próximos dias, tanto no campo administrativo quanto no debate público sobre gestão, oposição e proteção institucional às mulheres em situação de vulnerabilidade. Até o momento, o que há de confirmado publicamente é que a Prefeitura sustenta a exoneração com base em possíveis falhas administrativas, enquanto Valéria Fortes afirma ser alvo de violência política.