O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desistiu de comparecer à cerimônia de posse do novo presidente do Chile, José Antonio Kast. O evento está marcado para esta quarta-feira (11), em Valparaíso, sede do Poder Legislativo chileno.
A informação foi confirmada por interlocutores do Palácio do Planalto. A decisão teria sido tomada na noite de segunda-feira (10), mesmo após Lula ter confirmado presença anteriormente. Equipes do governo brasileiro já estavam no Chile preparando a agenda presidencial.
Na manhã desta terça-feira (11), a Secretaria de Comunicação Social confirmou o cancelamento da viagem. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, representará o Brasil na cerimônia após reunião com o presidente.
Paralelamente, a assessoria do senador Flávio Bolsonaro (PL) — pré-candidato à Presidência da República e adversário político de Lula — confirmou presença na cerimônia, acompanhado da esposa. O senador também deve cumprir agenda com lideranças locais.
Nos bastidores, interlocutores do Planalto apontaram que a possibilidade de um encontro direto entre Lula e Flávio Bolsonaro poderia gerar constrangimentos diplomáticos, fator que pesou na decisão presidencial.
A previsão inicial era de que Lula viajasse ao Chile ainda nesta terça-feira. No entanto, a agenda oficial da Presidência permaneceu sem compromissos públicos até o início da tarde. Posteriormente, foram incluídas reuniões internas e um telefonema com a presidente da Namíbia, Netumbo Nandi-Ndaitwah.
A viagem internacional não consta na programação oficial divulgada pelo governo.
Eleito presidente do Chile em 14 de dezembro de 2025, José Antonio Kast venceu o segundo turno com 58,2% dos votos, contra 41,8% de Jeannette Jara, do Partido Comunista.
Filho de imigrantes alemães que fundaram um negócio de embutidos na região metropolitana de Santiago, Kast tem 59 anos, é advogado, católico e casado há mais de 30 anos com a advogada Maria Pia Adriasola. O casal tem nove filhos.
Sua trajetória política começou ainda na universidade. Em 1988, apoiou a permanência do ditador Augusto Pinochet no poder durante plebiscito nacional.
Foi deputado pela União Democrática Independente (UDI), partido de direita, e disputou a Presidência pela primeira vez em 2017, ficando com menos de 10% dos votos. Em 2021, voltou a concorrer, já pelo Partido Republicano — fundado por ele — mas acabou derrotado por Gabriel Boric.
Agora, assume o comando do país após vitória expressiva nas urnas.