Saúde Saude
Madrugar nem sempre ajuda na produtividade e pode afetar saúde e decisões
Forçar o relógio biológico não traz sucesso, apenas fadiga e prejuízos ao desempenho
07/03/2026 12h41
Por: Admin Fonte: Portal Vale do Paraiba

Nas redes sociais e nos livros de autoajuda, uma ideia sedutora se repete: pertencer ao chamado “clube das 5 da manhã” seria o primeiro passo para o sucesso. Acordar antes do amanhecer virou sinônimo de produtividade, disciplina e vantagem competitiva.

Exemplos de figuras públicas reforçam essa narrativa. Tim Cook, CEO da Apple, é conhecido por começar o dia ainda de madrugada. Já o ator Mark Wahlberg viralizou ao divulgar rotinas extremas em que acordava às 2h30 para treinar.

A mensagem implícita parece clara: quem quer ter sucesso precisa “ganhar horas ao sol”.

Mas a ciência do sono conta outra história.


🧠 Nem todos têm o mesmo relógio biológico

Pesquisas mostram que existem diferenças individuais estáveis nos chamados cronotipos.
Algumas pessoas são naturalmente mais matinais, enquanto outras rendem melhor à tarde ou à noite.

Essas diferenças não são falta de disciplina. Elas têm base biológica e genética.

Ao longo da vida, o relógio interno muda gradualmente:

Mas essa transição é natural e lenta — não pode ser acelerada por força de vontade.

Tentar transformar uma pessoa noturna em matinal abruptamente pode gerar o chamado jet lag social: um desalinhamento constante entre o relógio biológico e as exigências externas.

Esse desequilíbrio provoca:


😴 A verdadeira armadilha: dormir menos

O maior problema não é acordar cedo, mas reduzir o sono.

Adultos precisam, em média, de 7 a 9 horas de descanso por noite para funcionamento ideal.
Muitas rotinas extremas ignoram isso — as pessoas acordam mais cedo, mas não dormem mais cedo.

O sono não é improdutivo. Ele é essencial.

Durante a noite, o organismo:

Quando o descanso é reduzido cronicamente:

Além disso, as fases finais do sono são fundamentais para:

Interromper esses ciclos compromete a lucidez.

Dormir menos para trabalhar mais é como dirigir um carro cada vez mais rápido depois de ter tirado os freios. Talvez se avance, mas o custo chega na próxima curva.


🏢 A cultura da exaustão não é mérito

O culto ao madrugar extremo faz parte de algo maior: a glorificação do cansaço como símbolo de dedicação.

Durante anos, muitas organizações valorizaram quem:

Mas líderes fatigados:

Além disso, as “manhãs milagrosas” ignoram realidades sociais.
Nem todos podem acordar cedo para meditar ou treinar.

Para muitos, acordar cedo significa apenas:
➡️ Mais uma hora de cansaço em dias já longos
➡️ Trabalho intenso
➡️ Responsabilidades familiares


🌅 Acordar cedo não é vilão — mas não é regra universal

Há pessoas que se sentem bem acordando cedo e dormem o suficiente.
Para elas, a rotina funciona.

O problema surge quando isso é vendido como fórmula universal de sucesso, ignorando a diversidade biológica.

A ciência do sono é menos épica que os discursos motivacionais — e muito mais útil.

O que realmente importa:
✔️ Dormir o suficiente
✔️ Manter horários regulares
✔️ Respeitar o próprio ritmo biológico


💡 O verdadeiro diferencial

Talvez a vantagem competitiva não esteja em ganhar horas ao sol.

Mas em começar o dia com um cérebro realmente descansado.

O sucesso não começa às cinco da manhã.
Começa quando deixamos de viver permanentemente cansados.