Saúde SAUDE
Ressaca com fim do carnaval? Saiba o que o álcool faz no fígado, no cérebro e como aliviar os sintomas
Especialistas explicam por que a ressaca acontece, quais órgãos são mais afetados e o que realmente ajuda na recuperação.
18/02/2026 14h10
Por: Admin Fonte: Portal Vale do Paraiba

Depois da maratona de blocos, camarotes e desfiles, muitos foliões acordam com o mesmo roteiro: dor de cabeça, boca seca, náusea, sensibilidade à luz e aquela sensação de exaustão. A ressaca, embora comum, é resultado de uma série de reações complexas no organismo.

De acordo com especialistas, o mal-estar surge quando o nível de álcool no sangue já diminuiu, mas o corpo ainda está lidando com os impactos metabólicos, inflamatórios e hormonais provocados pela ingestão.


O que acontece no fígado

O etanol é metabolizado no fígado e transformado em acetaldeído, uma substância tóxica que contribui diretamente para o mal-estar.

Além disso, cada dose impõe um esforço extra ao órgão. Pessoas com alterações hepáticas, inflamações ou que fazem uso contínuo de medicamentos podem metabolizar o álcool mais lentamente — o que intensifica os sintomas.


O efeito no cérebro

O álcool interfere no sistema nervoso central, altera neurotransmissores e prejudica a qualidade do sono. Mesmo que a pessoa durma várias horas, o descanso é fragmentado e pouco reparador.

Isso explica sintomas como:

Há também liberação de citocinas inflamatórias, que ampliam a sensação de “corpo travado” no dia seguinte.


Desidratação agrava o quadro

O álcool inibe o hormônio antidiurético (ADH), aumentando a produção de urina. O resultado é perda de líquidos e eletrólitos, favorecendo:

Mesmo uma desidratação leve já é suficiente para intensificar o desconforto.


Irritação no estômago

A bebida alcoólica irrita a mucosa gástrica, altera o refluxo e pode retardar o esvaziamento do estômago. O efeito é o aumento de náuseas, desconforto abdominal e sensação de enjoo prolongado.

Além disso, o consumo em jejum pode provocar episódios de hipoglicemia, gerando tremores, sudorese e palpitação.


Por que algumas ressacas são piores?

As diferenças começam na genética. Algumas pessoas produzem menos enzimas responsáveis por metabolizar o álcool, prolongando seus efeitos.

Outros fatores também influenciam:

Bebidas com maior presença de congêneres — substâncias formadas na fermentação e no envelhecimento — tendem a provocar ressacas mais intensas.

Costumam causar mais sintomas: vinho tinto, uísque e conhaque.
Intermediário: cerveja.
Menos intensas: vodca e gim.

Ainda assim, a quantidade ingerida e a sensibilidade individual são os principais determinantes.


O que realmente ajuda?

Não há fórmula mágica. A recuperação depende do tempo que o organismo leva para eliminar os resíduos do álcool.

Especialistas recomendam:

✔️ Hidratação constante
✔️ Alimentação leve e rica em carboidratos
✔️ Descanso adequado
✔️ Evitar consumir mais álcool para “curar” a ressaca

A melhor prevenção continua sendo a moderação e a ingestão de água durante o consumo.

Após dias intensos de folia, o corpo cobra a conta. E entender o que acontece no organismo é o primeiro passo para evitar excessos e reduzir os impactos no próximo Carnaval.