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Grupos ambientais e de saúde processam agência dos EUA após revogação de base científica climática
Decisão do governo Trump anula fundamento usado há mais de uma década para limitar emissões de gases de efeito estufa no país
18/02/2026 12h09
Por: Admin Fonte: Portal Vale do Paraiba

Uma coalizão de entidades ambientais e de saúde pública entrou com uma ação judicial contra a Environmental Protection Agency (EPA) após a agência revogar uma das bases científicas mais importantes da política climática dos Estados Unidos.

A contestação foi apresentada ao Tribunal de Apelações dos Estados Unidos para o Circuito do Distrito de Columbia e questiona a anulação da chamada “endangerment finding”, declaração adotada em 2009 durante o governo de Barack Obama.

A conclusão determinava que o dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa representam ameaça à saúde pública e ao bem-estar da população — servindo como sustentação legal para praticamente todas as regras federais voltadas à redução das emissões.


O que muda na prática

A “endangerment finding” era a base regulatória para:

Especialistas afirmam que a revogação pode eliminar padrões para carros e caminhões e abrir caminho para a retirada de outras salvaguardas ambientais.

Segundo os autores da ação, a decisão desmonta mecanismos considerados essenciais para conter a poluição climática e proteger a saúde da população.


Quem está por trás da ação

Entre as organizações que moveram o processo estão:

Brian Lynk, advogado do Environmental Law & Policy Center, afirmou que quase duas décadas de evidências científicas sustentaram a conclusão original e que a agência “não pode afirmar de forma crível” que esse conjunto de estudos esteja equivocado.

Para os grupos, a medida cria insegurança jurídica imediata, aumenta a instabilidade regulatória e deve gerar uma longa disputa judicial.


Contexto legal

Em 2007, a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu que os gases de efeito estufa se enquadram na definição de poluentes atmosféricos sob a legislação americana. Dois anos depois, o EPA formalizou a conclusão científica que passou a embasar as regras climáticas federais.

A legislação determina que o órgão limite a emissão de qualquer poluente que ameace a saúde pública.


A posição do governo

Ao anunciar a revogação, o presidente Donald Trump classificou a medida como “a maior ação de desregulamentação da história americana”.

O administrador da agência, Lee Zeldin, afirmou que a conclusão de 2009 era o “Santo Graal do excesso regulatório federal” e que teria resultado em trilhões de dólares em regras que impactaram setores inteiros da economia, incluindo a indústria automobilística.


Reação da comunidade científica

Para Gretchen Goldman, presidente da Union of Concerned Scientists, a revogação representa “uma completa abdicação” da missão da agência de proteger a saúde pública.

Ela destaca que a decisão ocorre em um momento em que as emissões globais continuam subindo e as temperaturas médias registram novos recordes, impulsionadas principalmente pela queima de combustíveis fósseis — com impactos humanos e econômicos cada vez mais visíveis.