O gabinete do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), divulgou nesta quinta-feira (29) uma nota oficial para esclarecer os principais andamentos do inquérito que investiga fraudes financeiras bilionárias envolvendo o Banco Master, instituição ligada ao empresário Daniel Vorcaro.
Segundo o comunicado, a eventual remessa do caso para a primeira instância da Justiça só será avaliada após a conclusão das investigações conduzidas pela Polícia Federal. A intenção, de acordo com o gabinete, é evitar questionamentos futuros sobre nulidades processuais ou conflitos de competência.
“Encerradas as investigações, será possível examinar os casos para eventual remessa às instâncias ordinárias, sem a possibilidade de que se apontem nulidades em razão da não observância do foro por prerrogativa de função ou de violação da ampla defesa e do devido processo legal”, afirma a nota.
Ainda de acordo com o gabinete, todas as apurações seguem em andamento de forma regular, respeitando os trâmites legais e mantendo o sigilo necessário para não comprometer as diligências em curso.
“O objetivo é garantir a apuração dos fatos sem prejuízo às investigações, preservando os sigilos necessários enquanto as diligências ainda estão em andamento”, completa o comunicado.
O gabinete também ressaltou que o sigilo do caso foi mantido desde o início das investigações, ainda na primeira instância, justamente para evitar vazamentos que pudessem prejudicar o trabalho da Polícia Federal.
“No dia 3 de dezembro de 2025, após o exame preliminar dos autos, houve a determinação, em caráter liminar, para que o processo fosse remetido ao Supremo Tribunal Federal, mantidas e validadas todas as medidas cautelares já deferidas, bem como o sigilo que já havia sido decretado pelo juízo de primeiro grau”, diz a nota.
Nos últimos meses, decisões tomadas por Toffoli no âmbito do caso Master foram alvo de críticas nos meios político e jurídico, consideradas por alguns especialistas como “atípicas”. O episódio ganhou ainda mais repercussão após a revelação de que fundos ligados ao Banco Master adquiriram participação de familiares do ministro em um resort localizado no Paraná.
Segundo informações divulgadas por colunistas especializados em bastidores do Judiciário, há negociações internas no STF para reduzir o desgaste institucional do caso, com a possibilidade de retorno dos inquéritos à primeira instância, onde as investigações originalmente tramitavam separadamente em Brasília e São Paulo.
A decisão, no entanto, caberá ao próprio relator do processo no Supremo, o ministro Dias Toffoli, que atualmente sofre pressão interna e externa devido à condução do inquérito.
Na nota divulgada, o gabinete detalha que Toffoli foi escolhido relator do caso por sorteio em novembro de 2025 e que, desde então, diversas diligências foram realizadas, incluindo oitivas de investigados, dirigentes do Banco Central e acareações entre executivos envolvidos.
A Polícia Federal, inclusive, solicitou recentemente a prorrogação do prazo para conclusão das investigações por mais 60 dias, pedido que foi autorizado pelo ministro.
Enquanto isso, o STF afirma que as apurações continuam em ritmo normal e que somente após o encerramento completo da fase investigativa será possível decidir sobre o eventual envio do processo para a Justiça comum.