Polícia POLITICA
Toffoli afirma que envio do caso Master à primeira instância só será decidido após conclusão das investigações
Gabinete do ministro do STF divulgou nota para esclarecer andamento do inquérito sobre fraudes financeiras bilionárias envolvendo o Banco Master.
29/01/2026 15h44
Por: Admin Fonte: Portal Vale do Paraiba

O gabinete do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), divulgou nesta quinta-feira (29) uma nota oficial para esclarecer os principais andamentos do inquérito que investiga fraudes financeiras bilionárias envolvendo o Banco Master, instituição ligada ao empresário Daniel Vorcaro.

Segundo o comunicado, a eventual remessa do caso para a primeira instância da Justiça só será avaliada após a conclusão das investigações conduzidas pela Polícia Federal. A intenção, de acordo com o gabinete, é evitar questionamentos futuros sobre nulidades processuais ou conflitos de competência.

“Encerradas as investigações, será possível examinar os casos para eventual remessa às instâncias ordinárias, sem a possibilidade de que se apontem nulidades em razão da não observância do foro por prerrogativa de função ou de violação da ampla defesa e do devido processo legal”, afirma a nota.

Ainda de acordo com o gabinete, todas as apurações seguem em andamento de forma regular, respeitando os trâmites legais e mantendo o sigilo necessário para não comprometer as diligências em curso.

“O objetivo é garantir a apuração dos fatos sem prejuízo às investigações, preservando os sigilos necessários enquanto as diligências ainda estão em andamento”, completa o comunicado.

Sigilo e críticas

O gabinete também ressaltou que o sigilo do caso foi mantido desde o início das investigações, ainda na primeira instância, justamente para evitar vazamentos que pudessem prejudicar o trabalho da Polícia Federal.

“No dia 3 de dezembro de 2025, após o exame preliminar dos autos, houve a determinação, em caráter liminar, para que o processo fosse remetido ao Supremo Tribunal Federal, mantidas e validadas todas as medidas cautelares já deferidas, bem como o sigilo que já havia sido decretado pelo juízo de primeiro grau”, diz a nota.

Nos últimos meses, decisões tomadas por Toffoli no âmbito do caso Master foram alvo de críticas nos meios político e jurídico, consideradas por alguns especialistas como “atípicas”. O episódio ganhou ainda mais repercussão após a revelação de que fundos ligados ao Banco Master adquiriram participação de familiares do ministro em um resort localizado no Paraná.

Pressão e possível devolução

Segundo informações divulgadas por colunistas especializados em bastidores do Judiciário, há negociações internas no STF para reduzir o desgaste institucional do caso, com a possibilidade de retorno dos inquéritos à primeira instância, onde as investigações originalmente tramitavam separadamente em Brasília e São Paulo.

A decisão, no entanto, caberá ao próprio relator do processo no Supremo, o ministro Dias Toffoli, que atualmente sofre pressão interna e externa devido à condução do inquérito.

Investigação segue em curso

Na nota divulgada, o gabinete detalha que Toffoli foi escolhido relator do caso por sorteio em novembro de 2025 e que, desde então, diversas diligências foram realizadas, incluindo oitivas de investigados, dirigentes do Banco Central e acareações entre executivos envolvidos.

A Polícia Federal, inclusive, solicitou recentemente a prorrogação do prazo para conclusão das investigações por mais 60 dias, pedido que foi autorizado pelo ministro.

Enquanto isso, o STF afirma que as apurações continuam em ritmo normal e que somente após o encerramento completo da fase investigativa será possível decidir sobre o eventual envio do processo para a Justiça comum.