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Presidente do Paraguai, Santiago Peña, renuncia após crise bancária que deixou quase 3 milhões de clientes sem acesso ao dinheiro
Mandatário anunciou saída nesta quinta-feira (5), em meio a protestos, acusações de conflito de interesses e pressão por impeachment no Congresso; colapso do Ueno Bank provoca uma das maiores crises políticas e financeiras recentes do país.
05/11/2026 16h48
Por: Admin Fonte: Portal Vale do Paraíba

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quinta-feira, 5 de novembro de 2026, sua renúncia ao cargo, em meio a uma grave crise política e financeira provocada pelo colapso do Ueno Bank, uma das principais instituições bancárias do país.

A decisão foi comunicada por meio de um vídeo divulgado nas redes sociais, enquanto a Câmara dos Deputados discutia a abertura de um processo de impeachment contra o mandatário.

A crise ganhou proporções nacionais após a intervenção do Banco Central do Paraguai na instituição financeira, que apresentava problemas graves de solvência. A medida deixou aproximadamente 2,9 milhões de clientes temporariamente sem acesso aos próprios recursos, provocando protestos e aumentando a pressão sobre o governo.

Peña, que assumiu a Presidência em agosto de 2023, enfrentava questionamentos sobre suas relações anteriores com o grupo empresarial ligado ao banco e sobre a aplicação de recursos públicos na instituição.

Com sua saída, o vice-presidente Pedro Alliana deverá assumir a Presidência, observados os procedimentos constitucionais, para completar o mandato previsto até agosto de 2028.

Crise bancária provocou bloqueio de milhões de contas

O episódio que desencadeou a crise política começou na terça-feira (3), quando o Banco Central do Paraguai determinou a intervenção no Ueno Bank, instituição financeira que havia apresentado crescimento expressivo nos últimos anos.

Segundo as autoridades monetárias, foram identificadas irregularidades e problemas financeiros que comprometeram a capacidade do banco de cumprir as exigências de solvência.

O índice de solvência da instituição havia caído para menos da metade do mínimo exigido pelas normas regulatórias.

A situação levou à adoção de medidas de intervenção e ao início dos procedimentos relacionados à resolução da instituição.

Com isso, milhões de correntistas passaram a enfrentar dificuldades para movimentar seus recursos.

A impossibilidade de acessar o dinheiro provocou preocupação entre famílias, trabalhadores e empresários, que utilizavam o banco para receber salários, realizar pagamentos e administrar despesas cotidianas.

Quase metade da população foi afetada

A dimensão da crise chamou a atenção das autoridades paraguaias.

O Ueno Bank possuía aproximadamente 2,9 milhões de clientes em um país com população estimada em pouco mais de seis milhões de habitantes.

Isso significa que uma parcela expressiva da população foi diretamente atingida pelas restrições bancárias.

O congelamento das contas provocou dificuldades para pessoas que dependiam dos recursos depositados na instituição para cumprir compromissos financeiros.

A situação também gerou preocupação entre empresas e trabalhadores, ampliando os impactos econômicos do problema.

Com a repercussão, manifestações passaram a ocorrer em diferentes pontos do Paraguai, com clientes exigindo esclarecimentos e garantias sobre a recuperação dos valores.

Relações entre o presidente e o banco aumentaram pressão política

A crise financeira também colocou Santiago Peña no centro de questionamentos políticos.

Antes de assumir a Presidência, o mandatário manteve vínculos empresariais com o Grupo Vázquez, anteriormente ligado ao Ueno Bank.

Segundo informações divulgadas pela imprensa internacional, Peña foi acionista do grupo até março de 2025.

A relação passou a ser examinada em meio às denúncias sobre a utilização de recursos de instituições públicas em operações financeiras envolvendo o banco.

Entre os órgãos que mantinham valores na instituição estava o Instituto de Previsión Social (IPS), responsável por administrar recursos previdenciários e de saúde de trabalhadores paraguaios.

O banco concentrava centenas de milhões de dólares em depósitos provenientes de entidades públicas, o que ampliou a preocupação com os possíveis prejuízos aos cofres do Estado.

Parlamentares da oposição e integrantes do próprio partido do presidente passaram a exigir esclarecimentos sobre eventuais conflitos de interesses.

Peña negou ter cometido irregularidades.

Congresso discutia impeachment quando renúncia foi anunciada

A pressão política aumentou após a intervenção no banco.

Parlamentares paraguaios passaram a defender a abertura de um processo de impeachment contra Santiago Peña, questionando sua responsabilidade política diante da crise.

A Câmara dos Deputados convocou uma sessão extraordinária para discutir o assunto.

Enquanto os parlamentares analisavam o processo, o presidente anunciou publicamente que havia decidido deixar o cargo.

A renúncia ocorreu em um momento de enfraquecimento de seu apoio político, inclusive dentro do Partido Colorado, legenda à qual pertence.

O ex-presidente Horacio Cartes, uma das principais lideranças do partido, também havia manifestado apoio ao avanço do processo político contra o mandatário.

A situação agravou o isolamento do presidente e aumentou a pressão por uma mudança no comando do Executivo.

Santiago Peña pede desculpas à população

No pronunciamento divulgado nas redes sociais, Santiago Peña afirmou que sua decisão tinha como objetivo preservar a estabilidade nacional e as instituições democráticas.

O presidente também pediu desculpas aos paraguaios e reconheceu a gravidade do momento enfrentado pelo país.

Durante a manifestação, destacou sua preocupação com os cidadãos que confiaram suas economias ao sistema bancário.

Peña defendeu que as autoridades adotem medidas para garantir a devolução dos recursos aos clientes prejudicados.

Também mencionou a importância do funcionamento dos mecanismos de garantia de depósitos e da proteção dos valores pertencentes às instituições públicas.

Apesar do pedido de desculpas, o presidente não assumiu responsabilidade pelas irregularidades investigadas.

Governo enfrenta questionamentos sobre recursos públicos

Um dos aspectos mais delicados da crise envolve o volume de dinheiro público depositado no Ueno Bank.

A instituição recebeu valores de diferentes órgãos estatais, incluindo recursos vinculados à previdência e à saúde.

Estimativas divulgadas pela imprensa internacional apontam que os depósitos de entidades públicas na instituição chegaram a aproximadamente US$ 800 milhões.

A concentração desses recursos gerou questionamentos sobre os critérios utilizados para selecionar as instituições financeiras responsáveis pela administração do dinheiro.

As investigações também envolvem operações de crédito e possíveis irregularidades relacionadas à gestão do banco.

As autoridades deverão apurar eventuais responsabilidades administrativas e criminais.

É importante destacar que os questionamentos e as investigações não equivalem, por si só, à comprovação de responsabilidade criminal de Santiago Peña.

Executivos do Ueno Bank também são investigados

O colapso da instituição financeira provocou o avanço de investigações relacionadas à administração do banco.

Autoridades paraguaias identificaram suspeitas envolvendo operações financeiras, concessão de empréstimos e práticas de gestão que poderiam ter contribuído para o comprometimento da solvência.

Executivos e pessoas ligadas à instituição passaram a ser investigados.

Também foram anunciadas medidas judiciais contra integrantes da administração do banco.

As apurações deverão esclarecer as circunstâncias que levaram à crise e identificar eventuais responsabilidades.

O caso representa um desafio para os órgãos de fiscalização financeira, que precisarão administrar as consequências econômicas e garantir o cumprimento das medidas legais de proteção aos depositantes.

O que acontece com o dinheiro dos clientes?

Com a intervenção no Ueno Bank, uma das principais preocupações envolve a recuperação dos valores depositados pelos correntistas.

O Paraguai possui mecanismos de garantia destinados à proteção de depósitos bancários, respeitando limites e condições definidos pela legislação.

A expectativa é que o Fundo de Garantia de Depósitos seja utilizado para ressarcir clientes elegíveis, conforme os procedimentos estabelecidos pelas autoridades financeiras.

Entretanto, a devolução dos recursos depende da verificação dos saldos, da situação das contas e das regras de cobertura.

Clientes que possuem valores superiores aos limites garantidos poderão enfrentar procedimentos específicos para tentar recuperar a parcela não coberta.

As autoridades paraguaias deverão divulgar orientações sobre os prazos e os mecanismos de restituição.

Vice-presidente Pedro Alliana deverá assumir o governo

Com a renúncia de Santiago Peña, o vice-presidente Pedro Alliana passa a ocupar uma posição central na sucessão presidencial.

Integrante do Partido Colorado, Alliana foi eleito na mesma chapa de Peña em 2023.

Pelas regras constitucionais paraguaias, cabe ao vice-presidente assumir o comando do Executivo em caso de vacância definitiva da Presidência.

O mandato presidencial em curso está previsto para terminar em 15 de agosto de 2028.

A transição também depende da conclusão dos procedimentos institucionais relacionados à renúncia e ao processo político em andamento no Congresso.

O novo governo encontrará desafios relacionados à estabilidade financeira, à confiança dos investidores e à recuperação dos recursos dos clientes afetados.

Crise provoca preocupação com a economia paraguaia

A repercussão do caso ultrapassou o setor bancário.

A intervenção em uma instituição com milhões de clientes provocou questionamentos sobre a fiscalização do sistema financeiro e a segurança dos recursos depositados.

A crise também afetou a confiança de investidores e trouxe preocupação sobre possíveis consequências para a economia paraguaia.

O país mantém relações comerciais importantes com o Brasil, especialmente em setores como comércio, indústria, energia e agronegócio.

Por isso, os desdobramentos da situação também são acompanhados por empresários e representantes de diferentes atividades econômicas na região de fronteira.

O restabelecimento da confiança no sistema bancário será um dos principais desafios das autoridades paraguaias.

Situação também repercute entre brasileiros que visitam o Paraguai

O Paraguai recebe regularmente visitantes brasileiros, principalmente nas regiões de Ciudad del Este, Assunção e Encarnación.

Ciudad del Este, localizada na fronteira com Foz do Iguaçu, é um dos principais destinos de compras para consumidores brasileiros.

Já Assunção concentra atividades comerciais, empresariais, culturais e turísticas.

Embora a crise bancária provoque preocupação sobre a estabilidade financeira do país, não há indicação de que a renúncia presidencial tenha provocado o fechamento das fronteiras ou a suspensão generalizada das atividades turísticas.

Brasileiros que possuem contas, investimentos ou operações financeiras vinculadas ao Ueno Bank devem acompanhar diretamente as orientações das autoridades monetárias paraguaias.

Para turistas, é importante acompanhar os comunicados oficiais e verificar previamente a disponibilidade dos serviços bancários utilizados durante a viagem.

Renúncia marca momento histórico para o Paraguai

A saída de Santiago Peña representa uma mudança significativa no cenário político paraguaio.

Eleito em 2023, o presidente deveria permanecer no cargo até agosto de 2028.

Entretanto, a crise provocada pelo colapso do Ueno Bank comprometeu sua sustentação política e levou ao anúncio antecipado de sua saída.

O episódio também amplia o debate sobre fiscalização bancária, transparência na administração de recursos públicos e responsabilidade das instituições financeiras.

Os próximos dias serão decisivos para a definição dos procedimentos de sucessão e para as medidas destinadas à proteção dos correntistas.

A situação continuará sendo acompanhada pelas autoridades paraguaias e pela comunidade internacional.

Informações importantes

País: Paraguai

Presidente que anunciou a renúncia: Santiago Peña

Data do anúncio: Quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Motivo da crise política: Colapso do Ueno Bank e questionamentos sobre vínculos empresariais e recursos públicos

Instituição financeira envolvida: Ueno Bank

Clientes afetados: Aproximadamente 2,9 milhões

Órgão responsável pela intervenção: Banco Central do Paraguai

Início da intervenção: 3 de novembro de 2026

Situação política: Renúncia anunciada durante processo de discussão de impeachment

Vice-presidente: Pedro Alliana

Fim previsto do mandato presidencial: 15 de agosto de 2028

Principais desafios: Restituição dos depósitos, investigação das irregularidades e restabelecimento da confiança no sistema financeiro.