O Museu da Imagem e do Som de Taubaté (Mistau) recebe, a partir desta quinta-feira (5), a exposição itinerante “Presença Negra nos Arquivos”, iniciativa que valoriza a contribuição da população negra para a formação histórica, social e cultural do Brasil.
A abertura oficial está marcada para as 19h, com entrada gratuita. A mostra permanecerá disponível ao público até 6 de dezembro e integra a programação do Mês da Consciência Negra no município.
A exposição reúne documentos e referências históricas relacionados à trajetória de cinco personalidades que tiveram participação importante na construção da história regional, paulista e brasileira.
Entre os homenageados estão a escritora Carolina Maria de Jesus, o advogado e abolicionista Luiz Gama e o arquiteto Joaquim Pinto de Oliveira, conhecido como Tebas.
A programação também destaca duas personalidades ligadas diretamente à história de Taubaté: o maestro e líder comunitário José Clemente Gomes e a mestra figureira Edwirges Nogueira.
A iniciativa é realizada pela Prefeitura de Taubaté, por meio do Arquivo Histórico Municipal Dr. Félix Guisard Filho, em parceria com o Arquivo Público do Estado de São Paulo.
A proposta da mostra é apresentar ao público trajetórias e contribuições de pessoas negras que nem sempre receberam o devido reconhecimento nos registros históricos mais conhecidos.
Por meio de documentos preservados em arquivos públicos, a exposição estabelece conexões entre acontecimentos do passado e a construção da identidade cultural da sociedade brasileira.
O projeto também chama a atenção para a importância da preservação documental como instrumento de valorização da memória coletiva.
Arquivos históricos são responsáveis por guardar registros que permitem compreender transformações sociais, culturais, políticas e econômicas ao longo do tempo.
A exposição busca ampliar o conhecimento sobre a presença negra nesses registros e estimular reflexões sobre a maneira como determinadas histórias são preservadas, divulgadas e interpretadas.
Entre as personalidades homenageadas está José Clemente Gomes, que viveu entre 1892 e 1977.
Maestro, trabalhador e líder comunitário, ele teve participação importante na vida social e cultural de Taubaté.
José Clemente Gomes trabalhou na Companhia Taubaté Industrial (CTI), empresa que desempenhou um papel significativo na trajetória industrial do município.
Sua atuação também esteve ligada à organização comunitária e à construção da Igreja de São Benedito, localizada no bairro da Estiva.
A participação nesse processo demonstra sua importância para a história da comunidade e para a valorização de espaços de convivência e expressão cultural.
A exposição apresenta sua trajetória como parte da memória negra taubateana, destacando contribuições que ultrapassam o campo profissional e alcançam a organização social da cidade.
Outra personalidade homenageada é Edwirges Nogueira, que viveu aproximadamente entre 1910 e 1984.
Reconhecida como uma das referências pioneiras do artesanato em barro no Morro da Imaculada, em Taubaté, ela representa uma tradição artística profundamente associada à identidade cultural do município.
As figureiras de Taubaté são conhecidas pela produção de peças artesanais em barro, incluindo representações de animais, personagens e elementos do cotidiano.
Essa manifestação cultural é transmitida entre gerações e ocupa um lugar importante na história da arte popular da cidade.
Ao incluir Edwirges Nogueira na exposição, o projeto valoriza não apenas sua trajetória individual, mas também os conhecimentos tradicionais e as contribuições de mulheres negras para a preservação da cultura local.
A homenagem reforça a importância de reconhecer os saberes populares como parte do patrimônio histórico e cultural.