A cobertura vacinal contra o sarampo continua abaixo da meta estabelecida pelo Ministério da Saúde em importantes municípios do Vale do Paraíba, Litoral Norte e região bragantina. Um levantamento divulgado nesta terça-feira, 3 de novembro de 2026, revelou que nenhuma das nove cidades analisadas atingiu os 95% de cobertura na segunda dose da vacina.
O resultado preocupa as autoridades de saúde porque a aplicação das duas doses previstas para crianças é fundamental para completar a proteção contra a doença.
O sarampo é uma infecção viral altamente contagiosa que pode provocar complicações graves, principalmente em crianças pequenas e pessoas não imunizadas.
Embora não tenham sido confirmados casos da doença no Vale do Paraíba em 2026 até a divulgação do levantamento, o estado de São Paulo já registrou 41 ocorrências, aumentando a preocupação com a possibilidade de circulação do vírus.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde recomendam cobertura vacinal de pelo menos 95% para ajudar a impedir a circulação sustentada do sarampo.
O índice elevado é necessário devido à facilidade com que o vírus se espalha.
No levantamento regional, todos os nove municípios ficaram abaixo desse percentual na segunda aplicação.
Os resultados mais baixos foram registrados em Ubatuba, Caçapava e Jacareí.
Mesmo cidades que conseguiram alcançar a meta na primeira dose apresentaram queda significativa na segunda.
| Município | 1ª dose | 2ª dose |
|---|---|---|
| Atibaia | 98,80% | 82,50% |
| Bragança Paulista | 93,83% | 85,80% |
| Caçapava | 96,01% | 74,12% |
| Caraguatatuba | 99,91% | 83,02% |
| Jacareí | 94,85% | 76,67% |
| São José dos Campos | 93,51% | 78,91% |
| São Sebastião | 94,04% | 89,24% |
| Taubaté | 94,46% | 79,84% |
| Ubatuba | 94,57% | 73,37% |
Os percentuais refletem os dados apresentados no levantamento divulgado em 3 de novembro. A Prefeitura de São José dos Campos também informou uma atualização própria de 93,81% para a primeira dose em outubro, ligeiramente superior ao percentual da tabela.
Entre as cidades analisadas, Ubatuba apresentou o menor percentual de cobertura da segunda dose: 73,37%.
O resultado representa uma diferença de mais de 21 pontos percentuais em relação à meta recomendada.
Na primeira aplicação, o município registrou 94,57%, índice próximo dos 95% estabelecidos como referência.
A diferença demonstra que parte das crianças que recebeu a primeira dose não teve a segunda aplicação contabilizada dentro da cobertura esperada.
Esse cenário exige atenção das equipes de saúde e dos responsáveis.
Caçapava apresentou cobertura de 96,01% na primeira aplicação, superando a meta nacional.
Entretanto, a segunda dose alcançou 74,12%.
A diferença entre os resultados chama atenção porque demonstra que atingir a meta na primeira etapa não garante a conclusão do esquema vacinal.
A recomendação é que os responsáveis acompanhem a caderneta de vacinação e procurem a Unidade Básica de Saúde quando houver dúvidas sobre doses pendentes.
Em Jacareí, a cobertura da primeira dose chegou a 94,85%.
Na segunda aplicação, o percentual caiu para 76,67%.
O resultado coloca o município abaixo da meta nas duas etapas.
A diferença entre os percentuais reforça a necessidade de estratégias que incentivem o retorno das famílias às unidades de saúde para completar a vacinação.
A busca ativa de crianças com doses atrasadas pode ajudar a melhorar a cobertura.
Apesar de continuar abaixo da meta, São José dos Campos registrou melhora nos indicadores.
Segundo informações da Prefeitura, em agosto a cobertura era de 82,81% na primeira dose e 70,75% na segunda.
Em outubro, os percentuais informados passaram para 93,81% e 78,91%, respectivamente.
A evolução demonstra maior procura pela vacinação, mas ainda existe uma diferença importante em relação à meta de 95%.
Na segunda dose, o município permanece mais de 16 pontos percentuais abaixo do índice recomendado.
Taubaté registrou cobertura de 94,46% na primeira dose.
O percentual está próximo da meta estabelecida pelo Ministério da Saúde.
Entretanto, a cobertura cai para 79,84% na segunda aplicação.
A diferença evidencia a necessidade de ampliar o acompanhamento das crianças que precisam completar a vacinação.
Como o sarampo é uma doença de elevada transmissibilidade, a existência de grupos com vacinação incompleta representa uma preocupação para a saúde coletiva.
Caraguatatuba apresentou o maior percentual de cobertura na primeira dose entre os municípios analisados: 99,91%.
O resultado supera a meta nacional.
Apesar disso, a segunda aplicação alcançou 83,02%.
Isso significa que o município também não conseguiu atingir o índice necessário para completar a cobertura recomendada.
O dado reforça que o desafio regional não está apenas em iniciar a vacinação, mas também em garantir sua continuidade.
Entre as nove cidades, São Sebastião apresentou o melhor resultado na segunda aplicação, com 89,24%.
Embora seja o maior percentual do levantamento, o município ainda permanece abaixo dos 95% recomendados.
Na primeira dose, São Sebastião registrou 94,04%.
O desempenho demonstra uma diferença menor entre as duas aplicações quando comparado a outras cidades da região.
Mesmo assim, a cobertura ainda precisa avançar.
A diferença entre a primeira e a segunda dose é conhecida como abandono vacinal.
Esse indicador aparece quando pessoas que iniciaram o esquema de vacinação não retornam para concluir as aplicações previstas.
Segundo o infectologista Antônio Sérgio Mathias, o atraso na segunda dose pode estar relacionado à rotina das famílias.
Entre os motivos estão o esquecimento, a dificuldade de organizar os compromissos e a falta de conhecimento sobre a necessidade de completar o esquema.
O médico alerta que a primeira dose oferece proteção importante, mas a conclusão do esquema amplia a proteção individual e coletiva.
Por isso, quem perdeu o prazo não precisa esperar uma campanha específica para procurar atendimento.
Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, São Paulo registrou 41 casos confirmados de sarampo em 2026 até a atualização considerada no levantamento.
A maior parte ocorreu na capital paulista.
Confira a distribuição:
| Município | Casos confirmados |
|---|---|
| São Paulo | 37 |
| São Bernardo do Campo | 2 |
| Guarulhos | 1 |
| Santo André | 1 |
| Total | 41 |
Até o levantamento divulgado em 3 de novembro, não havia registro de casos confirmados no Vale do Paraíba em 2026.
Entretanto, o deslocamento frequente de pessoas entre a Grande São Paulo, o Vale do Paraíba e o Litoral Norte aumenta a importância das medidas preventivas.
O estado de São Paulo apresentou melhora na vacinação ao longo de 2026.
Na primeira dose, a cobertura passou de 86,56% em abril para 93,24% em julho.
Na segunda aplicação, o percentual avançou de 72,72% para 78,37% no mesmo período.
Apesar da evolução, os indicadores continuam abaixo da meta recomendada.
O cenário reforça a importância das ações de vacinação e do acompanhamento das crianças com esquemas incompletos.
A secretária adjunta de Saúde de São José dos Campos, Joselma Alves, destacou que o aumento de casos em outras regiões paulistas motivou uma mobilização das unidades de saúde.
Segundo ela, as equipes aproveitam os atendimentos realizados nas Unidades Básicas de Saúde para verificar a situação vacinal e orientar os responsáveis.
A proposta é ampliar a conscientização e incentivar a atualização das cadernetas.
O município também busca aumentar a procura pela segunda dose, considerada essencial para completar a proteção das crianças.
O sarampo é uma doença causada por um vírus transmitido pelo ar.
A infecção pode ocorrer quando uma pessoa suscetível entra em contato com partículas respiratórias liberadas por alguém infectado.
A transmissão pode acontecer em ambientes fechados e locais de grande circulação.
A doença é altamente contagiosa e pode provocar surtos quando a cobertura vacinal fica abaixo dos níveis necessários.
Entre as possíveis complicações estão infecções de ouvido, pneumonia e, em situações mais graves, comprometimento neurológico.
Crianças pequenas e pessoas com maior vulnerabilidade podem apresentar risco elevado de complicações.
Os primeiros sinais de sarampo podem ser confundidos com os de outras infecções respiratórias.
Entre os sintomas mais comuns estão febre alta, tosse, coriza e olhos vermelhos, frequentemente acompanhados de lacrimejamento.
Após alguns dias, podem surgir manchas avermelhadas na pele.
Essas manchas geralmente começam no rosto e atrás das orelhas, espalhando-se posteriormente pelo corpo.
Em casos suspeitos, a pessoa deve procurar orientação médica e evitar ambientes movimentados.
Sempre que possível, é importante avisar a unidade de saúde antes de comparecer, permitindo a adoção de medidas para reduzir a exposição de outras pessoas.
A vacina tríplice viral protege contra sarampo, caxumba e rubéola.
Ela está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde.
O calendário nacional estabelece as seguintes recomendações gerais:
| Público | Recomendação |
|---|---|
| Crianças aos 12 meses | Primeira dose |
| Crianças aos 15 meses | Segunda dose do esquema, conforme calendário vigente |
| Pessoas de 5 a 29 anos | Duas doses comprovadas |
| Adultos de 30 a 59 anos | Pelo menos uma dose comprovada |
| Profissionais de saúde | Duas doses documentadas, independentemente da faixa etária adulta |
Crianças com doses atrasadas devem ter a situação avaliada pela equipe da unidade de saúde para atualização conforme o calendário vigente.
Em localidades com recomendação das autoridades sanitárias, bebês entre seis meses e 11 meses e 29 dias podem receber uma aplicação antecipada da vacina contra o sarampo.
Essa estratégia é conhecida como dose zero.
Ela é utilizada em situações específicas de risco epidemiológico.
Entretanto, a dose zero não substitui as aplicações previstas no calendário de rotina.
Mesmo que a criança receba a dose antecipada, deverá continuar o esquema conforme as orientações dos profissionais de saúde.
Os responsáveis que não encontram a caderneta de vacinação da criança devem procurar uma Unidade Básica de Saúde.
As equipes podem consultar registros disponíveis e orientar sobre a necessidade de atualização.
Adultos que não sabem se foram vacinados também devem buscar informações.
A recomendação é não presumir que o esquema está completo quando não existe comprovação.
A avaliação do histórico vacinal permite identificar quais doses são necessárias.
A tríplice viral é uma vacina de vírus vivos atenuados e possui contraindicações.
Ela não deve ser aplicada durante a gestação.
Pessoas com imunossupressão importante também precisam de avaliação individual, pois determinadas condições podem contraindicar o imunizante.
Quem possui histórico de reação alérgica grave a componentes da vacina deve informar a equipe de saúde.
Nessas situações, a orientação médica é fundamental.
Tema: Cobertura vacinal contra o sarampo.
Data do levantamento: 3 de novembro de 2026.
Municípios analisados: Nove cidades do Vale do Paraíba, Litoral Norte e região bragantina.
Meta nacional: 95% de cobertura em cada dose.
Cidades que alcançaram a meta na primeira dose: Caraguatatuba, Atibaia e Caçapava.
Cidades que alcançaram a meta na segunda dose: Nenhuma das nove analisadas.
Menor cobertura na segunda dose: Ubatuba, com 73,37%.
Maior cobertura na segunda dose: São Sebastião, com 89,24%.
São José dos Campos: 78,91% na segunda dose.
Taubaté: 79,84% na segunda dose.
Casos confirmados no estado em 2026: 41, conforme os dados divulgados.
Vacina: Tríplice viral, disponível gratuitamente pelo SUS.
Onde se vacinar: Unidades Básicas de Saúde.
A cobertura vacinal contra o sarampo permanece como um desafio importante para os municípios do Vale do Paraíba e do Litoral Norte.
Os dados mostram que, apesar da melhora em algumas cidades, muitas crianças ainda não tiveram a segunda dose contabilizada dentro da cobertura recomendada.
O aumento de casos no estado de São Paulo reforça a necessidade de atenção.
A principal orientação aos pais e responsáveis é verificar a caderneta de vacinação e procurar a Unidade Básica de Saúde para atualizar as doses pendentes, contribuindo para proteger as crianças e reduzir o risco de circulação do sarampo na região