Polícia Cidades
Menina atropelada durante carreata política em Ilhabela passa por cirurgia; motorista permanece preso
Criança de 9 anos sofreu fraturas na perna direita após veículo com adesivos do PT invadir ciclovia durante manifestação de apoiadores de Flávio Bolsonaro; outro menino também ficou ferido, e Polícia Civil investiga tentativa de homicídio.
26/10/2026 14h13
Por: Admin Fonte: Portal Vale do Paraíba

Uma menina de 9 anos precisou passar por cirurgia após ser atropelada por um automóvel durante uma carreata política realizada no sábado, 24 de outubro, em Ilhabela, no Litoral Norte de São Paulo. O motorista, de 56 anos, foi preso em flagrante, suspeito de dirigir sob efeito de álcool e de atingir duas crianças que estavam em uma ciclovia.

O atropelamento aconteceu por volta das 16h, na Rua Gerson Peres de Araújo, no bairro Barra Velha, durante uma manifestação de apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL), então candidato à Presidência da República.

O veículo envolvido na ocorrência apresentava adesivos do Partido dos Trabalhadores (PT) e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Entretanto, a presença de identificação partidária no automóvel não comprova motivação política para o atropelamento, circunstância que permanece sob investigação.

Além da menina de 9 anos, um menino de 6 anos também foi atingido. As duas crianças foram socorridas pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhadas para atendimento hospitalar.

Menina sofreu fraturas e precisou de cirurgia

Segundo informações divulgadas pela Prefeitura de Ilhabela, a menina sofreu fraturas na tíbia e na fíbula da perna direita, com desvio.

Em razão da gravidade das lesões, foi necessária uma intervenção cirúrgica no Hospital Municipal Governador Mário Covas Júnior.

A informação sobre o procedimento foi confirmada pelo pai da criança, Jerrimar Pereira da Silva, em entrevista à TV Vanguarda no domingo, 25 de outubro.

De acordo com ele, a filha apresentava recuperação satisfatória após a cirurgia, mas ainda permanecia internada.

Até a atualização divulgada no domingo, não havia previsão de alta hospitalar.

Menino também ficou ferido

A segunda vítima, um menino de 6 anos, apresentou lesões na perna esquerda.

Segundo as informações médicas divulgadas, a criança sofreu inchaço, vermelhidão e escoriações.

Ele também recebeu atendimento após o atropelamento e permaneceu em observação no Pronto-Socorro Infantil.

As circunstâncias das lesões estão entre os elementos que serão considerados durante a investigação policial.

O estado de saúde das crianças continuará dependendo das avaliações realizadas pelas equipes médicas responsáveis pelo atendimento.

Câmeras registraram momento do atropelamento

Imagens divulgadas nas redes sociais mostram o momento em que o veículo deixa o fluxo de automóveis e avança sobre a área destinada a ciclistas e pedestres.

Segundo o registro policial, o automóvel estava em meio à retenção do trânsito provocada pela carreata.

Em determinado momento, o motorista teria tentado contornar a movimentação de veículos, subindo na calçada e invadindo a ciclovia.

Foi nesse momento que atingiu as duas crianças, que caminhavam acompanhadas por uma adulta.

As imagens também mostram a movimentação de pessoas que estavam nas proximidades após o atropelamento.

Os registros estão sendo utilizados pelas autoridades para esclarecer a dinâmica da ocorrência.

Motorista apresentava sinais de embriaguez

O condutor foi identificado como Cardjon Peixoto, de 56 anos.

Segundo o boletim de ocorrência, ele apresentava sinais de ingestão de bebida alcoólica no momento do atendimento policial.

A avaliação clínica realizada após sua detenção registrou alterações compatíveis com embriaguez, incluindo dificuldade para caminhar e manter o equilíbrio.

O motorista se recusou a realizar o teste do bafômetro.

Durante a ocorrência, os policiais também localizaram uma lata de cerveja aberta no interior do automóvel, contendo aproximadamente 200 mililitros de líquido.

O material foi registrado como parte dos elementos reunidos na investigação.

Suspeito afirmou ter confundido os pedais

Em depoimento à Polícia Civil, Cardjon Peixoto admitiu ter consumido bebida alcoólica antes do episódio.

Entretanto, negou que tivesse a intenção de atingir as crianças.

Segundo sua versão, o atropelamento aconteceu depois que ele confundiu os pedais do acelerador e do freio do automóvel, equipado com transmissão automática.

O investigado afirmou que perdeu o controle do veículo em razão da movimentação do trânsito durante a carreata.

Essa explicação será analisada pelas autoridades em conjunto com os vídeos, os depoimentos das testemunhas e os resultados periciais.

A versão apresentada pelo motorista não encerra a investigação sobre as circunstâncias da ocorrência.

Polícia investiga tentativa de homicídio qualificado

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que a ocorrência foi registrada como tentativa de homicídio qualificado, embriaguez ao volante e omissão de socorro.

Segundo a investigação, existem elementos que levaram a autoridade policial a considerar a possibilidade de que o motorista tenha assumido conscientemente o risco de provocar a morte das vítimas.

Essa interpretação faz parte da apuração e ainda depende da avaliação das provas e dos procedimentos judiciais.

A configuração de tentativa de homicídio exige a análise das circunstâncias da conduta e dos elementos relacionados à intenção ou à assunção do risco de causar a morte.

O motorista, por sua vez, nega que tenha agido com intenção de atingir as crianças.

Motorista teria tentado deixar o local

O boletim de ocorrência também apresenta informações sobre a conduta do motorista imediatamente após o atropelamento.

Segundo os registros policiais, imagens e depoimentos indicam que ele não parou prontamente após atingir as vítimas.

Testemunhas relataram que o homem teria tentado deixar o local, mas foi impedido por pessoas que acompanhavam a movimentação.

Ele foi contido até a chegada da Polícia Militar.

As circunstâncias desse momento também serão consideradas durante a investigação, especialmente em relação à suspeita de omissão de socorro.

Defesa nega intenção criminosa

A defesa de Cardjon Peixoto manifestou solidariedade às crianças e aos familiares.

Os advogados informaram que acompanham os desdobramentos da investigação e adotam as medidas jurídicas cabíveis.

A defesa sustenta que o caso deve ser analisado como lesão corporal culposa na direção de veículo automotor, classificação utilizada quando não existe intenção de provocar o resultado.

Também foi solicitada a concessão de fiança.

A divergência entre a classificação inicialmente adotada pela Polícia Civil e a tese apresentada pelos advogados deverá ser examinada no decorrer do processo.

O investigado possui direito à ampla defesa e à presunção de inocência.

Justiça mantém motorista preso

Após a prisão em flagrante, a Polícia Civil solicitou à Justiça a conversão da medida em prisão preventiva.

A autoridade policial também pediu a suspensão cautelar da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) do investigado.

Segundo informações divulgadas nesta segunda-feira, 26 de outubro, a Justiça decidiu manter o motorista preso após audiência de custódia realizada no domingo.

A manutenção da prisão é uma medida cautelar e não representa condenação definitiva pelos crimes investigados.

A responsabilidade criminal deverá ser definida após a análise das provas e o andamento dos procedimentos.

 

Polícia determinou perícia e análise das imagens

Para esclarecer a dinâmica do atropelamento, a Polícia Civil determinou a realização de diferentes procedimentos investigativos.

Entre eles estão os exames de corpo de delito nas vítimas, a perícia do automóvel e a preservação de imagens de câmeras de segurança.

Também deverão ser consideradas as gravações produzidas pelas câmeras corporais dos policiais envolvidos no atendimento.

A análise desses elementos poderá contribuir para esclarecer os movimentos do veículo, as circunstâncias da colisão e os acontecimentos posteriores.

Os depoimentos das testemunhas também fazem parte da investigação.

Adesivos políticos não comprovam motivação do atropelamento

A presença de adesivos do PT e de Lula no veículo provocou repercussão nas redes sociais, especialmente porque o atropelamento aconteceu durante uma carreata de apoiadores de Flávio Bolsonaro.

Entretanto, até o momento, não existe conclusão oficial de que o motorista tenha agido por motivação político-partidária.

A investigação policial não apresentou elementos conclusivos que permitam atribuir o atropelamento a uma ação planejada contra participantes da manifestação.

O núcleo local do PT manifestou solidariedade às famílias das crianças e repudiou condutas que coloquem vidas em risco.

A manifestação também destacou que a utilização de símbolos partidários em um automóvel não significa, necessariamente, que seu motorista esteja agindo em nome de determinada organização política.

A apuração deverá considerar os fatos e as provas, independentemente das identificações presentes no veículo.

Família acompanha recuperação da menina

O pai da menina, Jerrimar Pereira da Silva, relatou que não estava presente no momento do atropelamento.

Segundo ele, a filha havia saído para brincar acompanhada de outras crianças.

Após tomar conhecimento da ocorrência, a família passou a acompanhar o atendimento hospitalar e a recuperação da menina.

O pai informou que pretende buscar orientação jurídica para avaliar as medidas cabíveis em relação ao episódio.

A prioridade da família permanece sendo o tratamento e a recuperação da criança.

Atropelamento gera repercussão no Litoral Norte

O caso ganhou grande repercussão devido às imagens registradas, à presença de crianças entre as vítimas e ao contexto de uma manifestação política realizada na véspera do segundo turno das eleições.

O episódio também levantou discussões sobre segurança no trânsito, consumo de álcool por motoristas e proteção de pedestres e ciclistas.

A condução de veículos após a ingestão de bebidas alcoólicas representa um risco importante para a segurança viária.

Da mesma forma, a circulação irregular sobre calçadas e ciclovias pode colocar em perigo pessoas que utilizam esses espaços.

No caso de Ilhabela, as circunstâncias específicas permanecem em apuração pela Polícia Civil.

Investigação segue após cirurgia da criança

O atropelamento registrado em 24 de outubro deixou duas crianças feridas e resultou na prisão do motorista responsável pelo automóvel.

A menina de 9 anos precisou passar por cirurgia em razão das fraturas na perna direita, enquanto o menino de 6 anos recebeu atendimento por lesões na perna esquerda.

O investigado admitiu ter consumido álcool, mas negou intenção de atingir as vítimas.

A Polícia Civil apura suspeitas de tentativa de homicídio qualificado, embriaguez ao volante e omissão de socorro, enquanto a defesa sustenta que houve um acidente sem intenção criminosa.

A motivação e a responsabilidade penal ainda precisam ser estabelecidas pelas autoridades competentes.

O caso permanece sob investigação, enquanto familiares acompanham a recuperação das crianças atingidas.