Uma menina de 9 anos precisou passar por cirurgia após ser atropelada por um automóvel durante uma carreata política realizada no sábado, 24 de outubro, em Ilhabela, no Litoral Norte de São Paulo. O motorista, de 56 anos, foi preso em flagrante, suspeito de dirigir sob efeito de álcool e de atingir duas crianças que estavam em uma ciclovia.
O atropelamento aconteceu por volta das 16h, na Rua Gerson Peres de Araújo, no bairro Barra Velha, durante uma manifestação de apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL), então candidato à Presidência da República.
O veículo envolvido na ocorrência apresentava adesivos do Partido dos Trabalhadores (PT) e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Entretanto, a presença de identificação partidária no automóvel não comprova motivação política para o atropelamento, circunstância que permanece sob investigação.
Além da menina de 9 anos, um menino de 6 anos também foi atingido. As duas crianças foram socorridas pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhadas para atendimento hospitalar.
Segundo informações divulgadas pela Prefeitura de Ilhabela, a menina sofreu fraturas na tíbia e na fíbula da perna direita, com desvio.
Em razão da gravidade das lesões, foi necessária uma intervenção cirúrgica no Hospital Municipal Governador Mário Covas Júnior.
A informação sobre o procedimento foi confirmada pelo pai da criança, Jerrimar Pereira da Silva, em entrevista à TV Vanguarda no domingo, 25 de outubro.
De acordo com ele, a filha apresentava recuperação satisfatória após a cirurgia, mas ainda permanecia internada.
Até a atualização divulgada no domingo, não havia previsão de alta hospitalar.
A segunda vítima, um menino de 6 anos, apresentou lesões na perna esquerda.
Segundo as informações médicas divulgadas, a criança sofreu inchaço, vermelhidão e escoriações.
Ele também recebeu atendimento após o atropelamento e permaneceu em observação no Pronto-Socorro Infantil.
As circunstâncias das lesões estão entre os elementos que serão considerados durante a investigação policial.
O estado de saúde das crianças continuará dependendo das avaliações realizadas pelas equipes médicas responsáveis pelo atendimento.
Imagens divulgadas nas redes sociais mostram o momento em que o veículo deixa o fluxo de automóveis e avança sobre a área destinada a ciclistas e pedestres.
Segundo o registro policial, o automóvel estava em meio à retenção do trânsito provocada pela carreata.
Em determinado momento, o motorista teria tentado contornar a movimentação de veículos, subindo na calçada e invadindo a ciclovia.
Foi nesse momento que atingiu as duas crianças, que caminhavam acompanhadas por uma adulta.
As imagens também mostram a movimentação de pessoas que estavam nas proximidades após o atropelamento.
Os registros estão sendo utilizados pelas autoridades para esclarecer a dinâmica da ocorrência.
O condutor foi identificado como Cardjon Peixoto, de 56 anos.
Segundo o boletim de ocorrência, ele apresentava sinais de ingestão de bebida alcoólica no momento do atendimento policial.
A avaliação clínica realizada após sua detenção registrou alterações compatíveis com embriaguez, incluindo dificuldade para caminhar e manter o equilíbrio.
O motorista se recusou a realizar o teste do bafômetro.
Durante a ocorrência, os policiais também localizaram uma lata de cerveja aberta no interior do automóvel, contendo aproximadamente 200 mililitros de líquido.
O material foi registrado como parte dos elementos reunidos na investigação.
Em depoimento à Polícia Civil, Cardjon Peixoto admitiu ter consumido bebida alcoólica antes do episódio.
Entretanto, negou que tivesse a intenção de atingir as crianças.
Segundo sua versão, o atropelamento aconteceu depois que ele confundiu os pedais do acelerador e do freio do automóvel, equipado com transmissão automática.
O investigado afirmou que perdeu o controle do veículo em razão da movimentação do trânsito durante a carreata.
Essa explicação será analisada pelas autoridades em conjunto com os vídeos, os depoimentos das testemunhas e os resultados periciais.
A versão apresentada pelo motorista não encerra a investigação sobre as circunstâncias da ocorrência.
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que a ocorrência foi registrada como tentativa de homicídio qualificado, embriaguez ao volante e omissão de socorro.
Segundo a investigação, existem elementos que levaram a autoridade policial a considerar a possibilidade de que o motorista tenha assumido conscientemente o risco de provocar a morte das vítimas.
Essa interpretação faz parte da apuração e ainda depende da avaliação das provas e dos procedimentos judiciais.
A configuração de tentativa de homicídio exige a análise das circunstâncias da conduta e dos elementos relacionados à intenção ou à assunção do risco de causar a morte.
O motorista, por sua vez, nega que tenha agido com intenção de atingir as crianças.
O boletim de ocorrência também apresenta informações sobre a conduta do motorista imediatamente após o atropelamento.
Segundo os registros policiais, imagens e depoimentos indicam que ele não parou prontamente após atingir as vítimas.
Testemunhas relataram que o homem teria tentado deixar o local, mas foi impedido por pessoas que acompanhavam a movimentação.
Ele foi contido até a chegada da Polícia Militar.
As circunstâncias desse momento também serão consideradas durante a investigação, especialmente em relação à suspeita de omissão de socorro.
A defesa de Cardjon Peixoto manifestou solidariedade às crianças e aos familiares.
Os advogados informaram que acompanham os desdobramentos da investigação e adotam as medidas jurídicas cabíveis.
A defesa sustenta que o caso deve ser analisado como lesão corporal culposa na direção de veículo automotor, classificação utilizada quando não existe intenção de provocar o resultado.
Também foi solicitada a concessão de fiança.
A divergência entre a classificação inicialmente adotada pela Polícia Civil e a tese apresentada pelos advogados deverá ser examinada no decorrer do processo.
O investigado possui direito à ampla defesa e à presunção de inocência.
Após a prisão em flagrante, a Polícia Civil solicitou à Justiça a conversão da medida em prisão preventiva.
A autoridade policial também pediu a suspensão cautelar da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) do investigado.
Segundo informações divulgadas nesta segunda-feira, 26 de outubro, a Justiça decidiu manter o motorista preso após audiência de custódia realizada no domingo.
A manutenção da prisão é uma medida cautelar e não representa condenação definitiva pelos crimes investigados.
A responsabilidade criminal deverá ser definida após a análise das provas e o andamento dos procedimentos.
Para esclarecer a dinâmica do atropelamento, a Polícia Civil determinou a realização de diferentes procedimentos investigativos.
Entre eles estão os exames de corpo de delito nas vítimas, a perícia do automóvel e a preservação de imagens de câmeras de segurança.
Também deverão ser consideradas as gravações produzidas pelas câmeras corporais dos policiais envolvidos no atendimento.
A análise desses elementos poderá contribuir para esclarecer os movimentos do veículo, as circunstâncias da colisão e os acontecimentos posteriores.
Os depoimentos das testemunhas também fazem parte da investigação.
A presença de adesivos do PT e de Lula no veículo provocou repercussão nas redes sociais, especialmente porque o atropelamento aconteceu durante uma carreata de apoiadores de Flávio Bolsonaro.
Entretanto, até o momento, não existe conclusão oficial de que o motorista tenha agido por motivação político-partidária.
A investigação policial não apresentou elementos conclusivos que permitam atribuir o atropelamento a uma ação planejada contra participantes da manifestação.
O núcleo local do PT manifestou solidariedade às famílias das crianças e repudiou condutas que coloquem vidas em risco.
A manifestação também destacou que a utilização de símbolos partidários em um automóvel não significa, necessariamente, que seu motorista esteja agindo em nome de determinada organização política.
A apuração deverá considerar os fatos e as provas, independentemente das identificações presentes no veículo.
O pai da menina, Jerrimar Pereira da Silva, relatou que não estava presente no momento do atropelamento.
Segundo ele, a filha havia saído para brincar acompanhada de outras crianças.
Após tomar conhecimento da ocorrência, a família passou a acompanhar o atendimento hospitalar e a recuperação da menina.
O pai informou que pretende buscar orientação jurídica para avaliar as medidas cabíveis em relação ao episódio.
A prioridade da família permanece sendo o tratamento e a recuperação da criança.
O caso ganhou grande repercussão devido às imagens registradas, à presença de crianças entre as vítimas e ao contexto de uma manifestação política realizada na véspera do segundo turno das eleições.
O episódio também levantou discussões sobre segurança no trânsito, consumo de álcool por motoristas e proteção de pedestres e ciclistas.
A condução de veículos após a ingestão de bebidas alcoólicas representa um risco importante para a segurança viária.
Da mesma forma, a circulação irregular sobre calçadas e ciclovias pode colocar em perigo pessoas que utilizam esses espaços.
No caso de Ilhabela, as circunstâncias específicas permanecem em apuração pela Polícia Civil.
O atropelamento registrado em 24 de outubro deixou duas crianças feridas e resultou na prisão do motorista responsável pelo automóvel.
A menina de 9 anos precisou passar por cirurgia em razão das fraturas na perna direita, enquanto o menino de 6 anos recebeu atendimento por lesões na perna esquerda.
O investigado admitiu ter consumido álcool, mas negou intenção de atingir as vítimas.
A Polícia Civil apura suspeitas de tentativa de homicídio qualificado, embriaguez ao volante e omissão de socorro, enquanto a defesa sustenta que houve um acidente sem intenção criminosa.
A motivação e a responsabilidade penal ainda precisam ser estabelecidas pelas autoridades competentes.
O caso permanece sob investigação, enquanto familiares acompanham a recuperação das crianças atingidas.