Polícia São Paulo
Polícia Civil investiga vereador e agente da Polícia Federal após vídeo mostrar imobilização de companheira em Marília
Júnior Féfin aparece segurando a mulher no chão com as pernas próximas ao pescoço; gravação provocou denúncias de possível violência doméstica e pedido de abertura de Comissão Processante na Câmara Municipal.
22/10/2026 17h37
Por: Admin Fonte: Portal Vale do Paraíba

A Polícia Civil apura um episódio envolvendo o vereador de Marília Oswaldo Féfin Vanin Junior, conhecido como Júnior Féfin, do União Brasil, que também atua como agente da Polícia Federal. O caso ganhou repercussão após a divulgação de um vídeo em que o parlamentar aparece imobilizando sua companheira no chão durante uma discussão dentro de uma residência.

Nas imagens, divulgadas inicialmente na segunda-feira, 19 de outubro, a mulher afirma que está sendo sufocada, reclama de dores no braço e pede repetidamente para ser solta.

A ocorrência provocou manifestações de entidades de defesa dos direitos das mulheres e levou à apresentação de um pedido de abertura de Comissão Processante contra o vereador por possível quebra de decoro parlamentar.

O episódio também passou a ser acompanhado pelas autoridades policiais, responsáveis por esclarecer as circunstâncias da gravação e verificar a existência de possíveis infrações.

Vídeo mostra mulher sendo imobilizada

A gravação, feita pelo próprio parlamentar, mostra a mulher deitada no chão enquanto Júnior Féfin a mantém imobilizada com as pernas próximas à região do pescoço.

Durante o registro, a companheira reclama de dificuldade para respirar e de dores no braço.

O vereador, por sua vez, afirma que estaria tentando contê-la em razão do comportamento apresentado durante a discussão.

A mulher contesta essa explicação e pede que ele interrompa a imobilização.

Posteriormente, o parlamentar se afasta e a companheira consegue se levantar.

As imagens registram apenas parte do episódio e não permitem estabelecer, isoladamente, tudo o que ocorreu antes ou depois da gravação.

Polícia Civil acompanha possíveis irregularidades

O caso foi encaminhado para apuração das autoridades policiais de Marília.

Informações divulgadas pela imprensa local apontam que a mulher teria procurado a Delegacia de Defesa da Mulher após o episódio, mas não concluído o registro inicial da ocorrência.

Também foram divulgadas informações sobre a abertura de investigação para esclarecer os fatos.

A apuração deverá considerar as imagens, os relatos dos envolvidos e eventuais outros elementos de prova.

A existência de um vídeo não elimina a necessidade de verificar sua autenticidade, o contexto e as circunstâncias completas da situação registrada.

Até o momento, não há condenação criminal decorrente desse episódio.

Novos documentos apresentam versões divergentes

Após a divulgação das imagens, vieram a público documentos com relatos diferentes sobre o relacionamento.

Mensagens atribuídas à companheira do vereador apresentam referências a possíveis episódios de agressão física.

Por outro lado, uma declaração datada de 20 de outubro, também atribuída à mulher, nega a existência de agressões no relacionamento e contesta as acusações dirigidas ao parlamentar.

As divergências deverão ser esclarecidas pelas autoridades responsáveis.

É importante que a apuração verifique as condições em que os documentos foram produzidos e assegure que a mulher possa apresentar seu relato sem constrangimento ou interferência.

Câmara recebe pedido de Comissão Processante

Na terça-feira, 20 de outubro, quatro mulheres ligadas a iniciativas de defesa dos direitos femininos protocolaram uma representação na Câmara Municipal de Marília.

O documento solicita a abertura de uma Comissão Processante para investigar possível quebra de decoro parlamentar.

A denúncia considera as imagens divulgadas e pede que o Legislativo avalie se a conduta atribuída ao vereador é compatível com as responsabilidades do mandato.

O pedido foi fundamentado nas normas aplicáveis aos procedimentos político-administrativos dos vereadores.

O recebimento da representação não significa que o parlamentar tenha perdido o mandato ou que exista decisão definitiva sobre as acusações.

Vereadores devem analisar pedido na segunda-feira

A expectativa divulgada pela Câmara é que o pedido seja submetido à análise do plenário na próxima segunda-feira, 26 de outubro.

Caso seja recebido, o procedimento poderá resultar na formação de uma Comissão Processante composta por parlamentares responsáveis pela investigação.

O vereador terá direito de apresentar defesa e indicar provas, conforme os procedimentos legais.

Uma eventual cassação dependerá de etapas posteriores e do quórum estabelecido pela legislação.

A apuração no Legislativo é independente das investigações conduzidas pelas autoridades policiais.

Câmara manifesta repúdio à violência contra mulheres

Após a repercussão, a Câmara Municipal de Marília divulgou manifestação de repúdio à violência, especialmente contra mulheres.

O Legislativo afirmou que acompanha o caso e que adotará os procedimentos cabíveis dentro de suas atribuições.

A instituição também destacou o compromisso com os direitos humanos e com a preservação da integridade física e da dignidade das pessoas.

Representantes da Procuradoria da Mulher e da Bancada Feminina acompanham os desdobramentos.

A atuação desses órgãos inclui o encaminhamento de situações que demandem acolhimento e proteção.

Situação exige apuração cuidadosa

O caso envolve questões relacionadas à violência doméstica, à responsabilidade funcional e à conduta de um representante eleito.

A investigação criminal deverá esclarecer se houve prática de infração penal, enquanto a Câmara poderá examinar eventual responsabilidade político-administrativa.

São procedimentos distintos, com regras e consequências próprias.

A apuração deverá respeitar os direitos da mulher envolvida e as garantias legais do investigado.

Júnior Féfin exerce seu segundo mandato na Câmara de Marília e foi reeleito em 2024 pelo União Brasil.

Até as manifestações públicas consultadas, não havia sido identificada uma resposta direta do parlamentar à imprensa local sobre todas as acusações. A declaração atribuída à companheira, por sua vez, apresenta uma versão contrária à denúncia de agressões.

Caso terá novos desdobramentos

A divulgação do vídeo e dos documentos relacionados ao episódio provocou questionamentos sobre a conduta do vereador e mobilizou instituições de proteção às mulheres.

Os próximos encaminhamentos dependerão da investigação policial e da análise do pedido apresentado à Câmara Municipal.

A expectativa é que o Legislativo examine a abertura da Comissão Processante em 26 de outubro.

Enquanto isso, as autoridades deverão avaliar os elementos disponíveis para esclarecer as circunstâncias do episódio, sem antecipar conclusões sobre eventual responsabilidade criminal.