A organização do Desafio 28 Praias divulgou, nesta segunda-feira (19), esclarecimentos sobre o atendimento prestado a um atleta que morreu após sofrer uma parada cardiorrespiratória durante a competição realizada no sábado, 17 de outubro, em Ubatuba, no Litoral Norte de São Paulo.
O participante disputava o percurso de 28 quilômetros quando apresentou um mal-estar nas proximidades do quilômetro 22, por volta das 11h40. Equipes de socorro foram acionadas e iniciaram os procedimentos de atendimento, mas o quadro clínico se agravou durante a retirada do atleta da trilha.
Apesar das manobras de reanimação cardiopulmonar e do suporte médico mobilizado, o participante não resistiu. O óbito foi confirmado na Santa Casa de Ubatuba.
Segundo o relato divulgado pela organização, a equipe de socorristas chegou ao local após receber a informação de que um competidor apresentava sinais de mal-estar.
Na avaliação inicial, o participante estava consciente, orientado e conseguia se comunicar com os profissionais.
Após os primeiros cuidados, os socorristas iniciaram os procedimentos para retirar o atleta da trilha e encaminhá-lo ao atendimento médico.
Entretanto, durante o deslocamento, ele sofreu uma parada cardiorrespiratória, exigindo uma intervenção imediata.
Os profissionais iniciaram as manobras de reanimação cardiopulmonar, procedimento utilizado em situações nas quais o coração deixa de bombear sangue adequadamente.
O diretor de Segurança da competição, Major Góes, informou que uma Unidade de Suporte Avançado foi acionada e que um Desfibrilador Externo Automático (DEA) foi encaminhado até o local da emergência.
De acordo com ele, a competição contava com quatro desfibriladores distribuídos estrategicamente ao longo do evento.
O equipamento chegou ao local em aproximadamente 20 minutos, considerando as dificuldades de acesso impostas pelas características do terreno.
Após ser conectado ao atleta, o desfibrilador realizou a avaliação do ritmo cardíaco, mas não indicou a aplicação de choque elétrico.
O DEA é um dispositivo capaz de identificar alterações cardíacas específicas e orientar a aplicação de choque apenas quando o procedimento é indicado.
Como não houve indicação de choque, os socorristas mantiveram as manobras de reanimação.
O atendimento aconteceu em uma região do percurso que apresentava dificuldades para a movimentação das equipes e dos equipamentos de emergência.
As características do terreno exigiram a retirada do participante em maca até um ponto onde fosse possível realizar a integração com profissionais do suporte avançado.
Durante a operação, equipes responsáveis pelo resgate e pelo atendimento médico atuaram para garantir a continuidade da assistência.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) também participou do atendimento.
Após os procedimentos realizados pelas equipes, o atleta foi encaminhado à Santa Casa de Ubatuba, onde foi constatado o falecimento.
Em comunicado, a organização informou que o planejamento médico e de resgate da competição havia sido previamente submetido à Federação Paulista de Atletismo (FPA).
A informação foi apresentada como parte dos esclarecimentos sobre a estrutura de atendimento disponibilizada durante o evento.
Competições realizadas em trilhas e percursos extensos exigem planejamento específico, considerando fatores como distância, condições do terreno, localização de pontos de apoio e acesso de veículos de emergência.
No caso do Desafio 28 Praias, a organização detalhou as medidas adotadas após a identificação do mal-estar e durante a tentativa de reanimação do participante.
O comunicado não apresentou uma conclusão médica sobre a causa da parada cardiorrespiratória.
A organização do Desafio 28 Praias manifestou pesar pelo falecimento e prestou solidariedade aos familiares, amigos e integrantes da equipe do atleta.
O secretário municipal de Esportes e Lazer de Ubatuba, Saulo Souza, também lamentou a morte.
Em manifestação oficial, o secretário destacou a tristeza provocada pelo episódio e a importância de oferecer acolhimento à família e às pessoas próximas ao participante.
A morte do atleta provocou repercussão em torno dos procedimentos de emergência em competições esportivas realizadas em ambientes naturais.
O caso também reforça a relevância do planejamento médico, da disponibilidade de profissionais capacitados e da organização de estratégias de atendimento para situações de urgência.