O uso frequente de celulares, computadores e tablets está entre os hábitos que podem contribuir para o surgimento de dores e desconfortos no pescoço. Permanecer por longos períodos com a cabeça inclinada para a frente aumenta a sobrecarga sobre a coluna cervical e pode provocar tensão muscular, rigidez e dificuldades de movimentação.
De acordo com o neurocirurgião Anthony Ghosh, especialista em coluna do Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS), a cabeça humana exerce uma carga equivalente a aproximadamente 5,4 quilos sobre o pescoço quando o corpo está em posição ereta.
Entretanto, quando a cabeça é inclinada para baixo, como acontece durante o uso do celular, essa carga pode chegar a cerca de 27 quilos, dependendo do ângulo da inclinação.
O aumento da pressão sobre os músculos e as articulações da região cervical ajuda a explicar por que tantas pessoas apresentam desconforto após passar horas utilizando dispositivos eletrônicos.
As dores cervicais estão entre os problemas musculoesqueléticos mais comuns e podem afetar pessoas de diferentes idades.
Segundo dados analisados a partir do estudo Global Burden of Disease 2021, uma parcela expressiva da população mundial apresenta episódios de dor no pescoço ao longo da vida.
O problema pode estar associado a diferentes fatores, incluindo alterações naturais do envelhecimento, tensão muscular, sedentarismo e permanência prolongada em posições desconfortáveis.
Com o passar dos anos, os discos intervertebrais tendem a perder parte de sua elasticidade, enquanto as articulações podem apresentar maior rigidez.
Embora essas mudanças façam parte do processo de envelhecimento, a movimentação regular e o fortalecimento muscular podem contribuir para preservar a funcionalidade da coluna.
Uma das recomendações apresentadas pelo especialista é realizar movimentos suaves de rotação do pescoço.
O exercício pode ser feito sentado, com a coluna ereta, ou deitado de costas.
A orientação é virar lentamente a cabeça para a direita, respeitando o limite confortável do movimento, permanecer por aproximadamente dois segundos e retornar à posição inicial.
Em seguida, o movimento deve ser repetido para o lado esquerdo.
A prática pode ser realizada algumas vezes ao longo do dia, desde que não provoque dor, tontura ou outros sintomas.
A movimentação contribui para evitar que a musculatura permaneça rígida durante períodos prolongados.
Outro cuidado importante é observar a posição da cabeça durante atividades cotidianas.
O ideal é manter o pescoço alinhado com a coluna, evitando projetar o queixo excessivamente para a frente.
Os ombros devem permanecer relaxados, sem tensão desnecessária, enquanto a cabeça fica posicionada de maneira confortável sobre o tronco.
Durante o uso de computadores, a altura da tela deve permitir uma visualização adequada, reduzindo a necessidade de inclinar constantemente a cabeça.
No caso dos celulares, elevar o aparelho para uma posição mais próxima da linha dos olhos pode ajudar a diminuir a sobrecarga cervical.
Também é importante evitar permanecer muito tempo na mesma posição.
Um terceiro exercício recomendado é o movimento conhecido como retração do queixo.
A prática consiste em alongar suavemente o pescoço para cima e recolher o queixo, sem inclinar excessivamente a cabeça para baixo.
O movimento deve ser realizado de maneira controlada, mantendo os ombros relaxados e evitando força exagerada.
A técnica trabalha a percepção do alinhamento cervical e pode ajudar a reduzir o hábito de manter a cabeça projetada para a frente.
A execução correta é importante para evitar desconfortos e compensações musculares.
Além dos alongamentos, o fortalecimento dos músculos que sustentam a cabeça também pode contribuir para a saúde do pescoço.
Um dos exercícios apresentados pelo especialista envolve deitar de costas, com os joelhos dobrados e os pés apoiados.
Nessa posição, a pessoa recolhe suavemente o queixo e eleva a cabeça poucos centímetros da superfície, mantendo o movimento por alguns segundos.
O tempo pode ser ampliado gradualmente, conforme a capacidade individual e a orientação profissional.
Esse tipo de exercício exige cuidado, especialmente em pessoas que já apresentam dores frequentes ou problemas diagnosticados na coluna cervical.
A recomendação é procurar avaliação médica ou fisioterapêutica antes de iniciar atividades de fortalecimento, principalmente quando existem sintomas persistentes.
Outra possibilidade é trabalhar a resistência da musculatura cervical.
Uma das técnicas consiste em permanecer sentado em uma cadeira com apoio para a cabeça e pressionar suavemente a parte posterior da cabeça contra o encosto.
O movimento deve ser controlado, sem provocar dor ou forçar excessivamente a região.
O objetivo é estimular os músculos responsáveis pela sustentação e estabilidade da coluna cervical.
Esses exercícios podem ser adaptados por profissionais de saúde de acordo com as necessidades de cada pessoa.
Além da postura inadequada, fatores emocionais podem influenciar o aparecimento de desconfortos na região cervical.
Durante períodos de estresse, é comum que algumas pessoas mantenham os músculos dos ombros e do pescoço contraídos por mais tempo.
Essa tensão prolongada pode contribuir para dores musculares e sensação de rigidez.
Por isso, pausas durante o trabalho, atividade física regular, sono adequado e estratégias de controle do estresse podem ajudar a melhorar o bem-estar.
Uma das principais orientações para preservar a saúde da coluna é evitar longos períodos de imobilidade.
Levantar-se, caminhar por alguns minutos e mudar de posição ao longo do dia são atitudes que ajudam a reduzir a tensão acumulada.
Não é necessário permanecer o tempo inteiro em uma postura rígida. O mais importante é variar as posições e permitir que os músculos e as articulações se movimentem.
Especialistas destacam que a combinação de exercícios adequados, fortalecimento muscular e hábitos ergonômicos pode ajudar a prevenir desconfortos relacionados ao uso prolongado de telas.
Quando a dor é persistente, piora progressivamente ou aparece acompanhada de formigamento, perda de força ou alterações de sensibilidade nos braços, é importante procurar atendimento médico.
A adoção de cuidados simples no cotidiano pode contribuir para proteger a região cervical e reduzir os impactos da rotina cada vez mais conectada aos dispositivos eletrônicos.